Hoje eu estava conversando com a minha namorada sobre a realização de atividades filantrópicas e o reflexo disso em nossas vidas e resolvi escrever essa postagem.
Durante a nossa conversa, nos deparamos com a seguinte ideia: ajudar o próximo é uma forma de se ajudar, pois é uma atividade que traz satisfação, pois, é seguida de um sentimento de conforto.
Diante disso, poderíamos afirmar que tais atividades, no fundo, possuem um caráter egoísta, afinal, eu ajudo, pois me sinto bem, se não fosse por isso, não ajudaria. Essa ideia possui um caráter de ação (ajudar) e consequência (satisfação e conforto).
Não me sinto atraído por essa teoria, acredito que existe algo a mais nisso.
Outra coisa: não confio muito em equações que visam positivar o comportamento humano. Não sou adepto do behaviorismo tampouco do positivismo de modo geral (o que de certa forma me causou uma frustração inicial no estudo do Direito, que busco ainda superação).
Se eu pratico filantropia para conseguir satisfação, tenho-a como um meio, e o fim é o meu conforto, ou o conforto de alguém, que seja. Simplista demais.
Durante uma atividade filantrópica, estamos sujeitos a situações que nos colocam defronte a uma adversidade, geralmente, uma pessoa (ou grupo de pessoas) que se encontra em uma situação social, emocional, econômica ou de saúde pior que a nossa. Esse contato é convidativo para algumas reflexões, como: será que realmente meus problemas são grandes? Será que eu me queixo demais? Será que tenho razão em querer tantas coisas, o que eu tenho já não é o suficiente para ser feliz?
Percebam, essa reflexão nos dá uma oportunidade de auto-conhecimento, que é essencial para uma vida mais equilibrada. Conhecer a si mesmo, reconhecer suas fraquezas, dominar suas vontades incessantes, perceber o lugar que você ocupa em sua sociedade e agir da melhor maneira possível para tornar o lugar onde você vive um ambiente melhor para você e para os outros viverem. Todas essas características podem ser desenvolvidas (não somente) pela execução de trabalhos filantrópicos. Esses trabalhos nos tornam mais humanos.
Por isso acredito que dizer que a filantropia é boa porque dá um bem-estar é uma forma não tão adequada de ver as coisas. Ainda, dizer que a busca por esses trabalhos é uma busca egoísta, pois visa o bem-estar de quem faz a busca, é um equívoco.
Cabe aqui um dizer bem antigo: quando a árvore souber que é uma árvore e ocupar o seu devido lugar e uma pedra souber que é uma pedra e ocupar o seu devido lugar, o paraíso terá chegado.
A busca em ajudar o próximo nos traz uma reflexão que é saudável, expande nossa consciência, nos aproxima de nós mesmos.
Fique ciente do seu lugar. Fique consciente. Seja sua consciência. Ou você está no piloto automático?
Pense nisso.
Vivemos em tons de cinza onde o bem e o mal se mesclam.
ResponderExcluirEm alguns momentos, eu gostaria de poder colocar toda a realidade no preto e no branco. Algo como o estereótipo do paladino...
Grande reflexão, irmão! Abração!